----------Não, o vocábulo «fadistória» não consta de dicionário algum e, pela primeira vez impresso por minhas teclas, vem à luz do raciocínio em geral. Se entre falantes lusófonos alguém inquirir o que porventura pretenderá definir, presumo que a maioria dos eventuais abordados considerará que se trata de algo que terá a ver com «história do fado» ou «história fadista», tal é a sua intuítiva e indutiva lógica linguística.
----------Com «fado», palavrinha oriunda dos termos latinos «fatu» ou «fatum», tem a ver tudo quanto concirna a agouro, destino, oráculo, profecia, sorte, vaticínio e aquilo que, queira-se ou não, invariavelmente de facto acontece e se torna fatal, estabelecendo-se em redor das estranhas e duvidosas forças ocultas que submetem a existência racional, o que é de resto inexorável efeito comum que avassala de lés a lés a maioria dos humanos. A lapidar lucubração de Shakespeare, apesar dos rasgos encefálicos do século XX, continua intocável: «Ser ou não ser, eis a questão».
----------Da considerada imbrogliante sequência surge em súmula espectacular, de génese exclusivamente portuguesa, o «fado» que se canta e toca nos seus mais diversos e peculiares pendores, exprimindo-se hoje em dia, na sua mais identificada vertente, sob a essencial trindade musical guitarra-voz-viola, cada vez mais alargando-se por outros ensaios instrumentais e, desde a expansão amaliana, sobretudo concitando o interesse internacional. = 20.5.2008 - TdG


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